Mera existência de grupo econômico não enseja desconsideração da personalidade jurídica

No dia 07/06/2019 o Centro de Estudos Judiciários (CEJ/CFJ), com apoio do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), realizou o Plenário da III Jornada de Direito Comercial.

Com aprovação de 34 novos enunciados – selecionados por grupos temáticos (https://www.cjf.jus.br/cjf/noticias/2019/06-junho/iii-jornada-de-direito-comercial-e-encerrada-no-cjf-com-aprovacao-de-enunciados), o entendimento se mostrou favorável a determinados dispositivos instituídos na recente e polêmica Medida Provisória n° 881, de 30 de abril de 2019 – que ficou conhecida como a “Medida Provisória da Liberdade Econômica”.

Isto porque, a MP deu nova redação ao antigo art. 50, do Código Civil e na ocasião da III Jornada de Direito Comercial  houve a aprovação do Enunciado n° 91, que poderá ser utilizado para reforçar a nova redação do art. 50, determinando que a desconsideração da personalidade jurídica de sociedades integrantes de mesmo grupo societário exige a comprovação dos requisitos do art. 50 do Código Civil por meio do incidente de desconsideração da personalidade jurídica ou na forma do art. 134, § 2º, do Código de Processo Civil.

Com a entrada em vigor da Medida Provisória n° 881, na data de 30 de abril de 2019, o art. 50, do Código Civil passa a vigorar com nova redação, definindo objetivamente o conceito de desvio de finalidade e confusão patrimonial, o que, em tese, vincula a desconsideração da personalidade jurídica ao rol de possibilidades elencados no dispositivo.

Nos termos dos §§ 1º e 2º, considera-se desvio de finalidade a utilização dolosa da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza e a confusão patrimonial é entendida como a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada pelo  cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa; transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto o de valor proporcionalmente insignificante; e outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial.

A nova redação do art. 50, do Código Civil não apenas define os critérios objetivos para caracterização do desvio de finalidade e da confusão patrimonial, como também traz importante avanço na desconsideração da personalidade jurídica quando da existência de grupos econômicos.

Isto porque, não havendo na redação antiga do art. 50, do Código Civil critérios objetivos para caracterização do desvio de finalidade e da confusão patrimonial, vislumbrava-se a existência uma lacuna que possibilitava a desconsideração da personalidade jurídica sob a alegação de a empresa estava inserida em um grupo econômico fraudulento, que seria poderia ser utilizado para “mascarar” as relações negociais da pessoa jurídica.

No entanto, a inserção do § 4° no art. 50 representa uma esfera de segurança ao grupo empresarial, pois a mera existência do grupo não pode ser alegada como motivo para desconsideração da personalidade jurídica. Agora, passa ser necessário que estejam objetivamente comprovados o desvio de finalidade e a confusão patrimonial, de acordo com os critérios estabelecidos na lei.

Nesse sentido, foi de extrema importância a aprovação do Enunciado 91 da III Jornada de Direito Comercial, uma vez que passou pelo crivo Centro de Estudos Judiciários (CEJ/CFJ), com apoio do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), demonstrando que o entendimento jurisprudencial estará de acordo com a novel redação do art. 50, do Código Civil,

Deste modo, podemos considerar a importância da fixação do entendimento de que é necessária a comprovação dos critérios objetivamente elencados na nova redação do art. 50, do Código Civil, mais especificamente nos §§ 1° e 2°, como um avanço na segurança jurídica das decisões que deferem ou indeferem a desconsideração da personalidade jurídica ante a existência de um grupo econômico.

Dra. Leticia Grochoski Felini

OAB/PR 97.516

Advogada graduada com láurea acadêmica pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Atua nas áreas do Direito Empresarial e Tributário.

Reforma tributária: saiba o que vem por aí e o impacto no seu negócio

Reforma Tributária: como vai impactar seu negócio
Reforma Tributária e seus impactos

Reforma tributária: saiba o que vem por aí e o impacto no seu negócio

Se você é dono de uma fábrica, de uma loja, um prestador de serviços autônomo –  ou apenas um consumidor –, saiba que a reforma tributária, que vem aí, irá impactar diretamente o seu negócio, a sua vida. A ideia é substituir os mais de 60 impostos por apenas um ou dois.

Por isso, preparamos este artigo, esclarecendo dúvidas mais comuns de empresários, gestores e consumidores a respeito do que vem a ser esta reforma tributária em discussão no país. E como tudo isso irá atingir você e a sua empresa.

Além disso, trouxemos um resumo das várias propostas em discussão, seja no Congresso, no Governo Federal, nos estados e na sociedade. Boa leitura.

O que é reforma tributária (e seu impacto na economia)?

Reforma tributária é uma mudança político-econômica que deverá alterar a estrutura legal de impostos, taxas e contribuições no Brasil. Ou seja, uma mudança nas leis sobre a quantidade e a natureza dos tributos, competência para cobrança e sobre como irá incidir sobre empresas e consumidores.

A ideia básica de uma reforma tributária é a simplificação do sistema tributário, tornando-o mais acessível e menos burocrático. Tem como finalidade também reduzir a carga de impostos sobre o setor produtivo.

É lógico que esta não será uma discussão tão simples de ser realizada no Congresso e um projeto fácil de ser aprovado. Afinal há diversas propostas em discussão atualmente. Todas, no entanto, convergem para o imposto único, o que é extremamente louvável.

Economistas, como Bernard Appy, autor da proposta que está em discussão na Câmara dos Deputados, apontam que este rearranjo tributário seria capaz de alavancar a economia em 10% em 15 anos. O que é bastante significativo para um PIB estagnado há anos.

Reforma tributária e o imposto único

Em entrevista à Globo News, programa Edição das Dez, no dia 30 de julho deste ano, o economista Bernard Appy defendeu a criação de um imposto único sobre o consumo, englobando tributos federais, como IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), PIS  (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), ao imposto cobrado por estados, o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), e pelos municípios, o ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza).

A entrevista pode ser assistida neste endereço: http://g1.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/videos/v/especialista-comenta-os-pontos-fundamentais-da-reforma-tributaria/7637427/

Vale lembrar que esta é a ideia da proposta encampada pela Câmara dos Deputados. Appy foi categórico ao afirmar: “seria equívoco realizar uma reforma unificando apenas tributos federais. O pior de todos os impostos é o ICMS, que é o principal problema tributário brasileiro. Ele precisa entrar nesta simplificação, juntamente com o ISS”, apontou o economista, que é diretor do Centro de Cidadania Fiscal.

Conforme lembrou Appy –  e este é um pensamento compartilhado por quem atua na área tributária, como advogados, contadores – um dos grandes problemas do sistema tributário brasileiro é a tributação na origem, como é o caso do ICMS e não na outra ponta, no consumo.

Economista Bernard Appy

Inclusive, a cobrança na origem é o responsável pela “guerra fiscal” entre os estados. Esta disputa nada mais é que a briga entre os entes da federação para atrair empresas, utilizando como arma a renúncia fiscal.

O Paraná, por exemplo, pode reduzir o ICMS em 50% para montadoras de automóveis que quiserem se instalar no estado. Com isso, uma empresa que iria para São Paulo, opta por quem está oferecendo melhor vantagem tributária.

Por outro lado, São Paulo dá incentivo a frigoríficos, atraindo estas empresas, que poderiam se instalar em Minas Gerais, onde há maior produção bovina. A ideia aqui, inclusive, com o fim da guerra fiscal, é desenvolver as vocações regionais.

Conforme apontou o economista, que por muitos anos se debruçou sobre este tema, tributar no destino, ou seja, no consumo, dará mais transparência para o consumidor, que saberá exatamente quanto está pagando em impostos. Esta é, segundo ele, outra grande vantagem desta proposta que está na Câmara dos Deputados.

Vale lembrar que há outras propostas, como a do Senado, do ministro Paulo Guedes (Economia). O lado bom disso, é que todas convergem para redução  da carga tributária, simplificação e, a exemplo da reforma da previdência, sua necessidade vem se cristalizando.

Reforma tributária: trocar vários impostos por um

Você sabia que o Brasil possui hoje mais de dezenas impostos, que incidem praticamente em toda a cadeia produtiva, da origem ao destino? Ou seja, da fábrica, tributada principalmente com o ICMS, ao consumidor final?

Para se ter uma dimensão do absurdo, que é a tributação brasileira, em artigo publicado no Mídia News e veiculada pelo Impostômetro, o analista político Alfredo da Mota Menezes faz uma interessante comparação (https://impostometro.com.br/Noticias/Interna?idNoticia=228):

“Quando se acrescentam as dezenas de milhares de leis e portarias tributárias de estados, municípios e da União, a coisa chega quase ao ridículo. Alguém compilou todas elas e daria, acredite, um livro de mais de 41 mil páginas, com dois metros de altura.”

Por isso, é mais que urgente uma simplificação, não acha?

Veja abaixo quais os principais impostos hoje cobrados no Brasil

1-Área Federal

IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados)

IOF (Imposto sobre Organização Financeira)

IR (Imposto de Renda)

ITR (Imposto Territorial Rural)

2- Tributos Estaduais

 ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)

IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores)

3-Municipais

ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens)

ISS (Imposto Sobre Serviços)

Como citado, estes são os principais, mas existem dezenas de outros, como: Imposto de Importação (II), Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), INSS etc.

E vai mais uma importante crítica contra este emaranhado de impostos. Para se ter uma ideia do desperdício de tempo, as empresas brasileiras gastam em torno de 2.600 horas por mês para vencer a burocracia dos tributos.

E o que é pior. Entre 189 países, ocupamos a 30ª posição em carga tributária, mas com um dos piores retornos para a população, medido pelo Índice de Desenvolvimento Econômico (IDH), que está entre os mais baixos do mundo.

Impostômetro: mais de R$ 14 bilhões em impostos arrecadados

 De acordo com o Impostômetro, um medidor de impostos da Associação Comercial de São Paulo, de 01 de janeiro de 2019 até o dia 30 de julho, os brasileiros já pagaram em impostos 14 trilhões, 350 bilhões 850 milhões de reais.

Conforme reportagem publicada dia 29 de julho no endereço no portal Impostômetro (https://impostometro.com.br/Noticias/Interna?idNoticia=557), “a carga tributária do País atingiu o pico histórico de 35,07% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018 – o equivalente a R$ 2,39 trilhões. Em média, cada habitante recolheu o equivalente a R$ 11.494 em impostos. Cada brasileiro precisou trabalhar cerca de 128 dias apenas para quitar os seus compromissos com o pagamento de tributos”.

Reforma tributária: veja propostas em discussão

1-        Esta é a proposta da Câmara

A PEC do deputado Baleia Rossi (MDB-SP) está em tramitação na Câmara dos Deputados e tem o apoio do presidente da Casa, Rodrigo Maia. A ideia é reunir vários tributos no Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IOBS), como o IPI, PIS e Cofins, além de ICMS (estadual) e ISS (municipal).

Elaborado pelo economista Bernard Appy, do Centro de Cidadania Fiscal, prevê a criação de um segundo tributo, apenas federal, sobre bens e serviços.

2-Proposta de reforma do Senado

No Senado há um projeto de reforma tributária, que já passou pela Câmara. De autoria do ex-deputado Luis Carlos Hauly, prevê extinção do IPI, IOF, CSLL, PIS/Pasep, Cofins, Salário-Educação, Cide, ICMS e ISS. A ideia desta proposta é criar um único tributo de valor agregado chamado Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS) e um imposto sobre bens e serviços.

3-Paulo Guedes quer Imposto Único Federal

A equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, também elaborou a sua proposta de reforma tributária, com a troca de vários tributos federais, como PIS, Cofins, IPI, pelo Imposto Único Federal. A ideia é acabar também com o INSS que incide sobre a folha.

4-Proposta da sociedade civil

O Instituto Brasil 2000, uma entidade independente, prevê a criação de um imposto único, substituindo diversos tributos, inclusive o IPTU e IPVA.

5-Estados se organizam e apresentam proposta

Mais recentemente os estados se organizaram para elaborar também a sua proposta de reforma tributária. A ideia aqui é retirar da união a gestão do tributo único, que seria o Imposto sobre Valor Agregado. O temor dos governadores é perder receitas com o fim do ICMS.

 Reforma tributária: e como isso impacta meu negócio?

Se você é dono de uma fábrica, de uma loja, um prestador de serviço autônomo, saiba que qualquer reforma tributária – independentemente de sua abrangência – irá impactar diretamente no seu negócio.

Uma reforma mais abrangente, que englobe os tributos federais, estaduais e municípios terá um impacto maior, é lógico, que uma reforma apenas dos impostos da União.

Em todo caso, o ganho maior deverá ser com a desburocratização, com a previsibilidade, sendo possível saber exatamente quanto se  pagará de tributos sobre determinado produto.

Isso tornará bem mais simples qualquer planejamento de negócio, a concorrência mais transparência, evitando que uns tenham mais benefícios que outros.

Além disso, deverá haver pouca margem para as disputas judiciais com o Fisco, que hoje consomem muito dinheiro das organizações.

Também, as empresas poderão reduzir seus custos com contabilidade, gestão, enfim, com a própria máquina administrativa.

Os consumidores também deverão sentir, tanto pela melhora da economia, com geração de mais emprego, por exemplo, como na forma como se dará esta tributação.

A tributação na ponta, no consumo, tende atingir todos os setores da sociedade. Quem hoje está isento do imposto de renda, será tributado ao fazer uma operação financeira, caso seja aprovado o imposto sobre transações bancárias.

Portanto, é extremamente necessária a reforma tributária. Toda a sociedade deverá ganhar com isso. A única dúvida é: qual o seu tamanho e o seu impacto e quanto efetivamente ocorrerá?

E você, qual sua opinião a respeito. Deixe abaixo seu comentário, dúvidas, sugestões. Também se preferir pode entrar em contato conosco pelo e-mail [email protected].

Dr. Weslen Vieira

OAB/PR 55394

Advogado e contador, sócio da Advocacia Vieira, Spinella e Marchiotti, com sede em Maringá/PR. Pós-Graduado em Direito Tributário pelo IBET (Instituto Brasileiro de Direito Tributário), Especialista em Controladoria pela Universidade Estadual de Maringá, possui MBA em Finanças pelo Unicesumar, Mestrando em Direito da Personalidade. É docente da disciplina de Direito Tributário na Unifamma e Unicesumar e de algumas disciplinas em cursos de pós-graduação das áreas de direito, administração e contabilidade. Atua principalmente nas áreas de Direito Empresarial e Tributário, além de treinamentos, cursos e palestras.

Médicos podem atuar como PJ em hospitais?

Médicos podem atuar como pessoa jurídica, em sociedade ou cooperativa, na prestação de serviço a hospitais e outros estabelecimentos de saúde?

Atuações feitas pela Receita Federal, questionando esse tipo de contratação, vêm preocupando esses profissionais. Inclusive o Conselho Federal de Medicina se manifestou recentemente, destacando que irá atuar junto ao Fisco, na tentativa de resolver o impasse, do ponto de vista administrativo, e jurídico, se for necessário.

Para responder a esta questão sobre a legalidade das sociedades, há que se observar dois aspectos: trabalhista e tributário.

Quais as implicações trabalhistas do médico?

Na questão trabalhista, já está pacificada a possibilidade de terceirização de todas as atividades de uma empresa, inclusive as atividades-fim, neste caso a prestação do serviço médico.

Isso foi garantido pela lei da terceirização (Lei nº 13.429/2017), depois pacificada por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Há ainda a reforma trabalhista (Lei 13.467/2017), que reforçou esta possibilidade, definindo diversas possibilidades de contratação.

Para reforçar esta ideia, temos uma decisão judicial que reconheceu, em 2015, portanto antes da lei da terceirização, a legalidade na contratação de médicos PJs pelo Hospital Sírio Libanês.

A decisão considerou a especialidade da atividade médica e a autonomia destes profissionais para se organizarem em sociedades. A prestação de serviço não gera, portanto, vínculo empregatício.

Médico como PJ paga menos impostos?

 Nos aspectos tributários, atuar como pessoa jurídica pode resultar em menor carga tributária em relação à pessoa física, o que poderia levar o Fisco a supor que se trata de  manobra para pagar menos impostos, caso a sociedade funcione apenas de forma fictícia.

 Para não incorrer nesta questão, é preciso que a empresa atue efetivamente como uma cooperativa médica ou sociedade, cumprindo primeiramente todas as obrigações tributárias, cada qual de acordo com o regime adotado: Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real.

Em resumo, os médicos podem sim se associar para prestar serviço para hospitais ou outras instituições de saúde, desde que a cooperativa ou a empresa seja constituída efetivamente para esta finalidade, cumprindo todas as suas obrigações legais e tributárias. Agindo assim, estará de acordo com a regra jurídica.  Em termos financeiros, é quase sempre mais vantajoso atuar como Pessoa Jurídica do que como Pessoa Física.

Dr. Bruno Spinella de Almeida

OAB/PR 55.597 e OAB/SP 383.632-S

Advogado, consultor e empresário. Graduado em Direito pela UEM, especializando em Direito Tributário pelo IDCC e pelo IBET. Membro do IDTM (Instituto de Direito Tributário de Maringá), da Comissão de Direito Tributário e de Recuperação Judicial da OAB Maringá. Sócio diretor da VSM Advogados Associados com atuação predominantemente nas áreas empresarial e tributária.

CARF anula multa de 10 bi por irregularidade na exportação

O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) anulou, em decisão histórica (nº 16561.720129/2017-79), uma multa superior a R$ 10 bilhões aplicada em desfavor da empresa exportadora de grãos Cargill, por supostas irregularidades na exportação de commodities no ano de 2013. A decisão, da 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do tribunal administrativo, foi unânime, mas ainda cabe recurso à Câmara Superior do tribunal.

No caso em apreço, a empresa brasileira exportava grãos para uma filial (sem espaço físico) localizada em uma ilha caribenha e os revendia para outra empresa.

Contudo, segundo a Receita Federal do Brasil, sem um estabelecimento no país, não haveria local para armazenamento dos grãos e, portanto, a revenda estaria ocultando o real adquirente, prática fraudulenta vedada pela legislação tributária brasileira.

Para o Fisco, como houve ocultação, a pena seria equivalente a 100% sobre o valor aduaneiro da exportação. Em sede de julgamento, contudo, o Relator, conselheiro Pedro Rinaldi, manifestou no sentido de que a Receita não levou em consideração questões mercadológicas, de bolsa e de mercado futuro, e que não havia base legal para desqualificar as operações feitas pela contribuinte. Assim, votou por anular a multa, aduzindo que "trata-se unicamente de adiantamento que o contribuinte faz na exportação, dentro de sua própria empresa, filial e matriz, como uma única personalidade jurídica".

Na sessão de julgamento, o relator disse também que nestas operações a empresa atuou formalmente como compradora. "Entretanto, não comprova a fraude. A fiscalização não está falando do comprador final e, sim, do comprador real", afirmou.

Em suma, verifica-se que a decisão do CARF fora deveras inovadora. Isto porque, segundo o órgão fiscalizador, a operação na qual uma empresa exporta commodities para uma filial própria e posteriormente revende para pessoa jurídica diversa não configura prática ilegal de ocultação do terceiro adquirente, mas meramente de promessa de venda de produto futuro e, devido a isto, a empresa exportadora de grãos teve sua autuação anulada.

Dra. Silvia Salgueiro Pagadigorria

OAB/PR 86.860

Advogada, cursou Direito Internacional Negocial na Universidade de Griffith - Gold Coast (2017-2018), pós-graduanda em Direito Empresarial Tributário na Pontifícia Universidade Católica - Maringá/PR. Áreas de atuação: Direito Bancário e Direito Tributário.

eSocial deverá ser extinto em 2020

O eSocial, Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas, deverá ser extinto em janeiro de 2020. Esta mudança já havia sido anunciada pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, em reunião realizada no dia 13 de junho, em Curitiba.

No encontro com empresários, o secretário especial do ministro, Carlos Alexandre da Costa, anunciou ainda diversas outras medidas, que estão em estudo na pasta e prometem tornar mais fácil a vida do empresariado brasileiro.

ESOCIAL: MUITA DOR DE CABEÇA

O eSocial, desde que foi criado pelo governo de Dilma Rousseff, em 2014 – e implementado em 2018 – , vem sendo alvo de críticas, devido a sua complexidade. Além de extremamente complexo, só encarecia ainda mais o orçamento das empresas com a burocracia.

SUBSTITUTO DO ESOCIAL

A ideia do governo é que no lugar do eSocial sejam criados um sistema para informações trabalhistas e previdenciárias e outro para dados tributários. Conforme adiantou o governo, mesmo assim serão menos burocráticos e mais amigáveis.

Outra notícia importante: as micro e pequenas empresas ficarão dispensadas da adesão ao sistema até 2020, quando passarão a adotar o novo sistema.

EXIGÊNCIAS DO ESOCIAL

Para se ter uma ideia da complexidade que é o eSocial, este sistema tem cerca de 900 exigências que devem ser preenchidas pelas empresas empregadoras. Fontes do Ministério da Economia garantem que estas exigências atuais cairão pela metade ainda neste ano.

Portanto, esta é mais uma excelente notícia a ser comemorada pelo empresariado. Afinal, menos burocracia significa mais agilidade e menos custo.

Dr. Weslen Vieira

OAB/PR 55394

Advogado e contador, sócio da Advocacia Vieira, Spinella e Marchiotti, com sede em Maringá/PR. Pós-Graduado em Direito Tributário pelo IBET (Instituto Brasileiro de Direito Tributário), Especialista em Controladoria pela Universidade Estadual de Maringá, possui MBA em Finanças pelo Unicesumar, Mestrando em Direito da Personalidade. É docente da disciplina de Direito Tributário na Unifamma e Unicesumar e de algumas disciplinas em cursos de pós-graduação das áreas de direito, administração e contabilidade. Atua principalmente nas áreas de Direito Empresarial e Tributário, além de treinamentos, cursos e palestras.